Poderes
Uma das coisas mais emocionantes em representar um personagem numa obra de ficção é, de repente, tornar-se capaz de realizar coisas que uma pessoa comum não é capaz. No Scop, um Poder é algo que está além das capacidades dos seres humanos, seja Magia, Telecinésia, Superpoderes ou qualquer outra coisa da mesma natureza. A forma como Poderes funcionam é quase sempre idêntica, mas há bastante espaço para a criação de efeitos especiais que lhes dão personalidade.
O Que Significam os Poderes
Um Poder é semelhante a um Conceito: a principal diferença é que um Poder apenas habilita o personagem a realizar alguma Tarefa normalmente impossível, ou descreve alguma característica normalmente não encontrada em seres humanos. A resistência a algum tipo particular de efeito, que diminua a vulnerabilidade do personagem, também é considerada um tipo de Poder.
Exemplo
Um Poder pode ser algo bastante simples, que um humano poderia conhecer, e sem a necessidade de explicações sobrenaturais. Por exemplo, Empatia Animal, Memória Fotográfica, a capacidade de enxergar com pouca luz ou detectar mentiras. Se o seu personagem possui um talento dessa natureza, isso significa que ele é muito bom com isso, nunca falhando em situações assim.
Pode ser também algo de natureza sobrenatural ou mística, como Drenar Energia, Encantar ou Falar com Animais. Nesse caso, seu personagem tem uma habilidade excepcional, que não pode ser encontrada em humanos comuns. Magias e Poderes Psiônicos se encaixam nessa descrição.
Níveis
Poderes podem ter níveis, à escolha do Mestre do Jogo. O nível em um Poder indica o grau de eficiência, a possibilidade de conseguir efeitos mais significativos, ou ainda o acesso a habilidades cada vez mais poderosas. Se isso é uma possibilidade, então Poderes podem evoluir com o personagem. Quando um Poder não tem um nível explícito, considere-o igual a 1.
Habilidades Especiais
Para certos Poderes complexos, apenas conhecê-lo não é o suficiente: seu personagem precisa adquirir certas Habilidades Especiais, que indicam que tipo de efeitos é possível obter. Diferente das Habilidades normais, seu personagem não pode adquiri-las sem ter o Poder correspondente, e ela não podem ser usadas sem treinamento anterior – ou seja, o personagem precisa adquirir a Habilidade Especial antes de usar seus efeitos.
Exemplo
Cenários de RPG, especialmente aqueles com ambientação em Fantasia Medieval, descrevem a Magia como o Poder capaz de sentir e controlar a energia mágica, normalmente chamada Mana, e obter resultados que humanos normais não conseguem como, por exemplo, criar e direcionar uma bola de fogo na direção de seus inimigos. Magia é um Poder com níveis: magos com Magia em nível 1 são provavelmente estudantes que estão dando seus primeiros passos, enquanto um mago com Magia 4 tem bastante conhecimento e provavelmente é perigoso. Cada Feitiço que um mago deseja invocar é uma Habilidade Especial diferente.
Escolhendo Poderes
Para que um personagem tenha um Poder, precisa responder à pergunta “Meu Poder é _”, Meu Dom é _“ ou alguma outra que o MJ ache adequada. A pergunta e a quantidade de respostas pode mudar de cenário para cenário: cenários realistas normalmente permitem uma resposta simples, enquanto um super-herói pode ter diversos Poderes diferentes. Seu personagem ganha os Poderes escolhidos, em nível 1 caso se aplique.
Alguns Conceitos podem exigir um Poder específico no momento da criação do personagem. Por exemplo, um Mago recebe o Poder da Magia em nível 1, um Elfo Alado recebe o Poder de Voo. Em compensação, o personagem não pode receber outros Poderes — considere que a pergunta foi automaticamente respondida. Se o jogador desejar uma característica diferente, deve dar uma explicação adequada; e se dois Conceitos diferentes concederem mais Poderes que o permitido, o MJ pode pedir para o jogador descartar alguns deles.
Exemplo
Ao criar sua personagem Elanor, a jogadora decidiu que ela era uma Elfa Alada, mas que perdeu sua Habilidade de Voar ao quebrar irreparavelmente suas asas em um acidente. Em compensação, vivendo no meio da floresta, pode aprender Poderes Druídicos. A jogadora decidiu que Elanor ainda tem suas asas, elas apenas não são funcionais.
Se o Poder exige Habilidades Especiais, o personagem não as recebe gratuitamente: você deve escolhê-las dentro das limitações normais. Isso reflete a dedicação do seu personagem em aprender a lidar com o Poder — ele não tem tempo para aprender certas Habilidades comuns. Habilidades Especiais são sempre consideradas muito difíceis. Isso significa que seu nível inicial, para efeitos da Evolução do personagem, é sempre igual a -2, e elas não podem ser usada sem serem aprendidas antes.
Efeito em Jogo
Em jogo, um Poder é na verdade um aglomerado de formas diferentes de utilizar os Conceitos, Habilidades e outras características de forma a simular uma capacidade sobre-humana. Portanto, seu efeito durante uma partida depende de como ele está sendo usado, da mesma forma que a característica específica. Normalmente, um Poder sempre funciona, mas o MJ pode solicitar um teste feito com uma Habilidade comum para determinar a magnitude de seus efeitos. Apenas a interpretação é diferente.
No entanto, o uso de um Poder sempre acarreta em uso de Energia, exceto quando explicitamente declarado o contrário. Normalmente, apenas um ponto de Energia é necessário para ativar o Poder, mas isso pode variar com a situação, o efeito e o cenário. Veja em Usando Poderes uma descrição mais detalhada.
Um Poder é considerado um Conceito, e portanto, sujeito a todas as regras que regem essa característica. Se ele tem níveis, no entanto, o personagem pode fazer seu nível evoluir com treinamento e dedicação.
Alguns Exemplos
Já que se trata de uma campanha de fantasia medieval, Alberto decidiu permitir o uso de Poderes e Habilidades Especiais.
Kaylee
Para Bia, a pergunta é automaticamente respondida: por ser uma maga, o Poder de Kaylee será a Magia! E, para mostrar que está decidida a perseguir essa carreira, ela decide que seu Poder se restringe a Efeitos exclusivamente baseados no elemento Fogo para aumentar em +1 o seu nível no Poder. Dessa forma, ela tem Magia +2 e pode escolher feitiços com esse nível.
A Magia é um Poder que exige Habilidades Especiais. Você já viu em um exemplo anterior que Kaylee – já sabendo que seu Poder seria a Magia – tomou o cuidado de escolher seus feitiços com antecedência.
Lukah
Carlo também não tem dúvidas a respeito do que será o Poder de Lukah: Canção Inspiradora. Mas veja que, para bardos, essa é de fato uma escolha: nem todo bardo tem poderes. Apesar de ter a Habilidade Especial, ele reserva seu uso para situações realmente necessárias, preferindo recorrer às canções simples para o dia a dia.
Meggan
Daniela não acha que Meggan é o tipo de personagem que usa Poderes impressionantes. Ela decide que Meggan tem uma conexão especial com animais, e consegue obter de animais domésticos ou selvagens reações amigáveis (ou, na pior das hipóteses, neutra). Gastando 1 ponto de Energia para ativar esta habilidade, ela consegue automaticamente fazer com que as criaturas não desejem causar-lhe mal, e facilita o entendimento entre eles.
Ela dá o nome de Empatia Animal ao seu talento, e o escolheu porque antevê, mais à frente, treinar um furão para ser sua mascote.
Nghar
Eduardo escolhe o Poder tradicional dos bárbaros: a Fúria Incontrolável. Ao gastar um ponto de Energia, Nghar entra em um estado de fúria e se lança de corpo e alma ao combate. Enquanto está nesse estado, Nghar pode ignorar todas as penalidades e condições advindas de ferimentos, e recebe +1 em todas as suas jogadas de ataque.
Seção do Criador
Habilidades Especiais
Ao adicionar Poderes ao seu cenário, você deve considerar com atenção se deve associar Habilidades Especiais a eles, e como apresentar essas características no texto ou aos jogadores. O principal objetivo de sua existência é possibilitar um crescimento rápido de níveis de Poder, já que Habilidades evoluem muito mais rápido que Conceitos. Se isso faz sentido no seu cenário, então essa é uma boa escolha.
No entanto, isso pode causar uma certa frustração durante a criação do personagem: ao escolher seus Poderes, os jogadores precisarão retornar às Habilidades comuns e rever suas escolhas para encaixar as Habilidades Especiais. Ainda que isso não seja um problema muito complicado, já que atribuir níveis às Habilidades é simples, merece ser analisado com cuidado.
Uma maneira fácil de resolver esse problema é: faça com que a escolha do Poder seja feita antes da escolha das Habilidades: inclua a pergunta “Meu Poder é _” na fase de Conceitos, e deixe claro para os jogadores que eles precisarão dedicar alguns níveis às Habilidades Especiais. Isso evita o vai-e-vem e garante que, no final, os jogadores tenham os personagens que visualizaram.