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Magia Elemental

Tradicionalmente, a Habilidade em Magia em jogos de RPG é tratada como uma lista de feitiços ao qual o mago tem acesso. Ele aprende e treina alguns feitiços, decora-os durante seu descanso, e os utiliza quando a oportunidade aparece. Mas nem toda Magia precisa ser feita dessa maneira. O sistema abaixo descreve uma forma diferente de lidar com esse Poder.

Em diversos momentos da história da humanidade, e em diversos locais também, os sábios descreviam a existência como a combinação de diferentes Elementos: normalmente, Água, Ar, Fogo e Terra, cuja combinação em proporções adequadas poderia formar – pelo menos em princípio – qualquer forma de matéria ou energia existente no mundo. Essa filosofia não se restringia, no mundo real, apenas a elementos de magia ou alquimia: ainda que falha, era a descrição da realidade conhecida.

A ideia pode ser adaptada para representar a Magia em um cenário de RPG, com algumas vantagens e desvantagens. Como vantagem principal, a Magia Elemental dá ao jogador a liberdade de escolher efeitos extraordinários e inusitados, que podem ser surpreendentes e excitantes em uma aventura. Além disso, a adoção dessa forma permite, automaticamente, adicionar um elemento fantástico à descrição da ambientação.

Como desvantagem, no entanto, essa liberdade exige mais criatividade e atenção dos jogadores, e nem sempre é fácil criar um efeito no calor do momento. Mas existem soluções para isso (veja mais abaixo como).

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A Magia Elemental se baseia em dois princípios básicos:

A evocação de um feitiço é algo muito semelhante à combinação de um verbo com um objeto, em que o objeto é o Elemento a ser manipulado, e o verbo é o tipo de controle que se deseja realizar sobre ele.

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Os Elementos

Os Elementos são a resposta à pergunta “Eu tenho Afinidade com _”. A Afinidade é nivelada: quanto maior, mais efetivos são os feitiços conjurados. Um personagem pode ter Afinidade com mais de um Elemento, e em níveis diferentes, mas note que essa pergunta equivalente a “Meu Poder é _”, e portanto não deve ser trivial para o Mago iniciante conhecer muitos Elementos ou ter vários níveis em um deles.

Ainda que pareça que o alcance de cada Elemento não seja extenso, lembre-se que, na visão do mundo calcada sobre eles, cada palavra pode incluir coisas bem semelhantes – o quanto, exatamente, depende da decisão do Mestre do Jogo, mas a sugestão é permitir um alcance abrangente.

A Afinidade de um mago com um Elemento não apenas lhe permite usá-lo em feitiços, mas também influencia sua percepção, habilidades práticas e até mesmo sua forma de interagir com o mundo. Em situações apropriadas, a Afinidade com um Elemento concede um bônus em testes não-mágicos, como se fosse um Conceito. Isso pode se manifestar de diferentes formas:

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Resistência

Essa característica é inerente à descrição de um Poder, mas vale a pena mencioná-la aqui: um personagem pode ter Resistência a um Elemento. Isso é a mesma coisa que ter uma Afinidade negativa: o personagem não pode criar efeitos associados a esse Elemento, mas qualquer ação feita sobre ele recebe uma penalidade.

Assim como a Afinidade do conjurador é adicionada ao Nível de Sucesso do teste, a Resistência é subtraída, efetivamente diminuindo o resultado. Se a aplicação dessa penalidade levar o resultado abaixo da dificuldade da Tarefa, ela falha.


As Ações

Como acontece com todo Poder, apenas possuir a Afinidade com um Elemento não é o suficiente para usá-lo de maneira efetiva: é necessário conhecer algumas Habilidades. Na Magia Elemental, as Habilidades são Ações que podem ser realizadas sobre cada um dos Elementos, descritas por um verbo:

As quantidades do Elemento que os feitiços conseguem Criar, Destruir ou Manipular são dadas pelo Nível de Sucesso da jogada. Isso também se aplica ao Dano causado quando as magias são usadas em combates. Consulte os Efeitos, caso queira uma avaliação mais precisa.

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Realizando Feitiços

A conjuração de um feitiço na Magia Elemental segue a mesma estrutura do uso de outros Poderes:

A jogada de teste é a mesma, mas a quantidade de dados jogados sofre uma pequena diferença:

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Um Mago pode tornar seus feitiços mais complexos ao combinar Elementos ou Ações. Faça como antes: descreva os efeitos desejados, e quais combinações de Elementos e Ações deseja realizar. Nessa situação, o nível efetivo da Afinidade é o menor entre os Elementos combinados, e o mesmo é válido para as Ações usadas.

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A forma como os efeitos afetam a situação depende da interpretação do Meste do Jogo. É possível encontrar algumas ideias sobre volume ou quantidade afetada, duração, e outros possíveis efeitos vendo como usar Poderes, e sobre Dano causado, resistência e outras consequências de seu uso em combates.


Criando Novos Elementos

Os Elementos descritos acima são os tradicionalmente encontrados em cenários de Fantasia, especialmente os baseados em Fantasia Medieval Europeia. Não existe, no entanto, absolutamente nada que o impeça de criar um sistema que trabalhe com outros Elementos. Você pode dar o tom da aventura indicando quais Afinidades estão disponíveis.

Exemplos de outros Elementos que podem ser adicionados a praticamente qualquer cenário que contenha Magia incluem Vida, Mente, Espírito e outros. Um cenário baseado na China Antiga, por exemplo, pode usar Água, Ar, Fogo, Metal e Madeira, os Elementos típicos da filosofia oriental antiga. Um cenário de Fantasia Moderna poderia fazer uma decomposição próxima das grandezas físicas, como Tempo, Matéria, Espaço, Energia, e outros.

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Para garantir que esses novos Elementos sejam bem estruturados e funcionais dentro do sistema, siga os passos abaixo:

Defina a Identidade do Elemento

Decida se o Elemento tem uma identidade clara, ou ele se sobrepõe a outros já existentes. Se os efeitos que você visualiza podem ser realizados mapeados sobre outros Elementos, então provavelmente ele não é necessário.

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Certifique-se de que o Elemento pode ser usado com todas as Ações

Um Elemento deve ser versátil o suficiente para ser Criado, Manipulado, Destruído e Compreendido. Se alguma dessas Ações não parece fazer sentido, então considere ampliar a abrangência do Elemento. Por outro lado, se parece que tudo é possível, talvez ele precise ser refinado ou dividido em partes menores.

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Verifique se o Elemento se encaixa no cenário

Cada escolha de Elemento molda a visão de mundo dos personagens e do cenário. Se o mundo trata Energia como um Elemento, por exemplo, isso implica uma sociedade que entende magia e ciência de forma diferente da nossa.

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Seção do Mestre

Cuidado com as Combinações!