Antes das cidades, antes das estradas, antes do barulho interminável do progresso, as criaturas caminhavam livremente pelas florestas. Viviam entre rios limpos, árvores centenárias e trilhas que só existiam porque seus passos as criavam. Não havia pressa nem destino: apenas a dança eterna do vento, das marés, dos ciclos da lua. Então veio o homem. Primeiro tímido, depois insistente, depois voraz. Onde havia árvores, surgiram pastos; onde havia rios, ergueram pontes; onde havia silêncio, abriram estradas. A mata começou a desaparecer, e com ela tudo que torna a vida selvagem possível. Forçadas a fugir, as criaturas têm apenas uma alternativa: na cidade grande e suja, reunir-se no Pé-Sujo, e tentar proteger o pouco que ainda resta de sua existência verdadeira.